HISTÓRIA MESTRE GIRASSOL

MEU ENCONTRO COM ZÉ PELINTRA

 

Morava numa região de colonização alemã e confesso quenunca tinha visto uma pessoa de pele negra. Era por volta das seis horas da tarde, quando voltava do colégio e chegava em casa faminto, vi um prato de farofa em cima da mesa da cozinha e fui direto ao prato com muita fome sem perguntar de quem era, nem quem tinha feito. Percebendo que não tinha ninguém por perto degustei a farofa com muita gulodice, quando ouvi uma voz me dizendo: “menino essa farofa é minha!”. Levei um tremendo susto e olhei para trás quando vi um homem negro parecendo uma estátua de ferro feito daquelas que se vê nos livros de história do colégio, sabia que havia pessoas de cor, mas pessoalmente nunca tinha visto ninguém cara a cara.

Depois do tremendo susto gritei desesperado e sai correndo feito um cavalo disparado, sem rumo quando minha família me escutou naquela gritaria correram todos perguntando o que havia acontecido. E sem saber o que ia falar, porque tinha muito medo da minha mãe, disse que vi um fantasma grande e negro, a minha mãe deu risadas e disse: “menino mentiroso, vai apanhar por causa dessa mentira sem tamanho!”. Mais tarde, ela queria saber novamente quem eu tinha visto e eu, mais uma vez, falei para ela: “um homem grande, negro, que disse que aquela farofa que estava em cima da mesa era dele!”. Então, ela me explicou que aquele homem se chamava seu Zé Pelintra das almas, e foi contando toda a história do negro mais porreta que já conheci até hoje.

Sou devoto de paixão e ele me ajuda muito, resolvendo muitos dos meus problemas. Quer brigar comigo, fale mal do seu Zé Pelintra das almas.

Sarava seu Zé Pelintra das almas, tanto na direita, quanto na esquerda, com sua bondade e malandragem têm me ajudado.

Sendo meu guardião amigo de todas as horas. Quando fui ao terreiro de mãe Nice me apaixonei pela a entidade do seu Zé Pelintra do Catimbó, que ela recebe e que nunca falhou, entre outras palavras, quando ele fala, tá falado. Por isso, sou devoto.

Não posso deixar de dizer que desde os meus 12 anos, o seu Zé tem se apresentado para mim. E até o nome de Willian Girassol, foi ele quem batizou através de uma linda morena chamada Janaína, que numa tarde ela, desesperada para conversar com o seu Zé, me “aporrinhou” pedindo, implorando, pois precisava urgentemente falar com ele, e eu cansado, disse que não ia chamar ninguém, ela foi embora chorando, mas voltou do caminho e implorou.

Quando seu Zé incorporou, ele resolveu dois problemas numa “paulada” só, o problema dela e o meu, que até então eu nem sabia o que colocaria no livro. Dando-me o nome de Willian Girassol explicou-me: “tá vendo aquela imagem ali?”. A moça olhou e disse: “estou.”

“Ele se chama Caboclo Girassol e, de hoje em diante o Willian vai se chamar Willian Girassol.” E assim ficou registrado desde aquele dia.

 

 

 

 

 

 

 

CABOCLO GIRASSOL E WILLIAN GIRASSOL, HONRADO E BATIZADO.

 

 

Certa feita chegou um senhor de certa idade em minha casa, e me disse: “minha falecida mãe de santo, faz dez anos que morreu, e antes dela morrer, ela disse que era para eu guardar a imagem do Caboclo Girassol, que um dia eu iria achar uma pessoa certa. Disse que era para eu dar a imagem, quando eu te vi moço, na hora uma voz me disse: dê a imagem para esse moço!”. A imagem já estava guardada há dez anos num quarto nos fundos da casa dele. Foi marcante quando ele tirou a imagem de dentro de um saco com algumas cobertas, que protegiam a imagem. Eu fiquei trêmulo. Algo me dizia vocês tem tudo a ver, alguma história nova vem por ai.

 Hoje recebo o Caboclo Girassol. Fui batizado pelo seu Zé Pelintra por Willian Girassol o qual fiquei conhecido por todo o Brasil através dos meus livros e pelo nome que é impossível de se esquecer, batizado pelo seu Zé Pelintra e iluminado pelo Caboclo Girassol. Só podia ter axé. Sou muito feliz por essas entidades maravilhosas, que a cada dia me surpreendem.